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Sexta-feira , 03 de Agosto de 2018 - 17hs56

politica

Quando o dinheiro substitui as ideias

Fonte: Liberato Póvoa

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Liberato Póvoa

Liberato Póvoa é desembargador aposentado, foi presidente do TJ-TO, TRE-TO e governador interino do Tocantins.

Liberato Póvoa

Ontem, minha mulher, Simone, talvez na melhor das intenções, me chamou de lado e pediu que eu refletisse sobre minha candidatura a deputado estadual, como venho apregoando, pois não tenho dinheiro. 
Segundo ela, um amigo seu, que é assessor de um deputado estadual e candidato à reeleição, e seguramente com o gostinho do cargo, agora luta com todas as armas para, mais uma vez, ficar no bem-bom da Assembleia. Esse deputado, que está disputando a reeleição pela quinta ou sexta vez, está – segundo o assessor – gastando “os tubos” de dinheiro para garantir a maciez da cadeira na Assembleia.
Nada contra pleitear a reeleição, que a lei prevê, mas o que intriga é que nestas duas décadas de atividade parlamentar, o citado deputado ainda se valha do velho e escuso expediente de comprar votos, o que justifica ter apresentado apenas 16 projetos nestes mandatos, como a concessão de títulos de cidadania e outros da mesma “relevância”. Uma pessoa com cinco mandatos e nada de útil produziu para o povo que o elegeu deveria ter vergonha na cara e dar lugar para quem quer honrar o mandato.
Mas este nosso Brasil é assim mesmo. Senão, vejamos:
Vivemos no Brasil uma época em que querem que os padres se casem, mas facilitam cada vez mais que os casados se separem, se divorciem. 
Querem que os hetero tenham um relacionamento livre, sem compromissos, cada um morando em sua casa, mas que os “gays” e lésbicas se casem nas igrejas. 
Que as mulheres tenham corpos masculinizados, vistam-se como homens e assumam papeis masculinos, mas querem que os “homens” se mostrem frágeis, delicados, com trejeitinhos e aspectos de veadagem, que hoje viraram moda. 
Querem que homens se tornem mulheres e mulheres se tornem homens.
Que uma criança com seus cinco ou seis anos decida se quer ser homem ou mulher para o resto da vida, com o se eles tivessem alguma experiência para decidir.
E que nos danemos nós; que se dane a sociedade, a religião, a morale todo mundo.
E mais: há pelo SUS acompanhamento psicológico gratuito para quem quiser deixar a heterossexualidade e viver a sua homossexualidade; mas não existe apoio desse mesmo SUS para quem desejar sair da homossexualidade e viver a sua heterossexualidade;
O bandido menor de dezoito anos, reincidente e perigoso, não pode ser preso, porque os Direitos Humanos caem em cima da autoridade, pois atualmente quem é certo é o errado.
Não há vagas nos hospitais para as pessoas que estão morrendo nas filas, não há medicamentos em muitos casos, mas há incentivos do próprio SUS para quem quer fazer cirurgia para a mudança de sexo.
Nas chamadas “paradas gays” reúnem-se milhares de desocupados lutando pela liberdade sexual, mas são escassas as manifestações que lutam contra o descalabro da carga tributária, da carestia impiedosa, do desemprego e da corrupção.
Bandidos podem andar livremente armados pelas ruas, ostentando armas de fogo de todos os calibres, mas se um pai de família tiver uma arma em casa para defesa própria e da família e atirar contra um perigoso meliante ladrão ou estuprador, comete o mais hediondo dos crimes, arranjando uma dor de cabeça sem tamanho para o resto da vida.
Se você diz a verdade que não interessa aos que mandam é crime; mas urinar em cima de um crucifixo é arte.
Assim, meu amigo, não sou candidato a ficar eternamente vivendo às custas do governo e batendo palmas.
Quem compra voto é porque não honra seu mandato e concorda com essa vergonhosa situação em que vivemos, pois não apresentou um só projeto para mudar o cenári.o 
Sou pobre, como o eram Alfredo Nasser e Boaventura Moreira de Andrade: o primeiro foi de tudo na política, chegando a presidente da República, pois, como primeiro-ministro, ocupou interinamente o mais alto cargo da Nação, e o segundo, um ícone da política goianiense, vivia franciscanamente, a bordo de uma bicicleta, tendo morrido atropelado nessa mesma companheira de duas rodas, deixando, ambos, como herança uma profícua vida de realizações. E nenhum dos dois tinha um tostão furado para fazer campanha e jamais perderam uma eleição.
Assim, quem quiser esperar que eu gaste o dinheiro que não tenho, trate de vender seu voto pra outro, porque, mesmo que eu tivesse, jamais compraria, pois quem vende seu voto não pode reclamar depois (porque já foi pago), e quem compra tem apenas o compromisso de deixar o país no descalabro em que se acha. Não tenho dinheiro para dar saco de cimento, milheiro de tijolos, aviar receitas, fazer dentadura e outras moedas de troca que aparecem nos anos de eleições. Se vierem me procurar para isto, podem votar em outro, pois o que darei em troca do voto são ideias e não prometo nada além de muito trabalho e dedicação. 
Quem não tem ideias compra votos.


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