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Deputados repercutem início do julgamento do suposto mensalão


 


 


O início do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do caso do suposto mensalão (Ação Penal 470) direcionou os trabalhos da Câmara nesta quinta-feira. Deputados de oposição chegaram a se reunir em uma sala para acompanhar juntos os trabalhos dos ministros do STF. Além disso, durante toda a tarde, governistas e oposicionistas usaram a tribuna do Plenário para comentar o caso.


Enquanto deputados do PT trataram de desmerecer as denúncias, os oposicionistas repetiram que o mensalão é o “maior escândalo de corrupção da história”. Os dois lados cobraram dos ministros do STF um julgamento isento.


Os governistas negaram a tese de compra de apoio parlamentar. “Não acredito, de maneira nenhuma, que algum deputado desta Casa venda seu voto contra ou a favor do governo por qualquer tostão que seja”, disse o deputado Jesus Rodrigues (PT-PI). Segundo ele, a tese de que o valerioduto abasteceria a base governista é um “drama que tentam vender à população”.


Para o deputado Vanderlei Siraque (PT-SP), o STF vai julgar um crime inexistente. “Não vi na Constituição, em nenhuma legislação penal, uma tipificação do crime do mensalão”, disse. De acordo com ele, se houvesse compra de votos haveria uma lista dos parlamentares comprados, o que não há.


O vice-líder do DEM Ronaldo Caiado (GO), no entanto, ressaltou que o esquema operado pelo empresário Marcos Valério pode ter repassado R$ 140 milhões para aliados do Executivo. “Não adianta tentar minimizar o que foi o maior desvio de dinheiro dos cofres públicos para um governo fazer valer sua vontade no Congresso Nacional”, criticou. Ele disse ainda que o julgamento vai definir os rumos do País: “Vai mostrar se a lei prevalece para todos ou se caminhamos para o modelo venezuelano, em que a vontade do governo é superior às normas.”


O líder da Minoria, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), destacou que o julgamento só foi possível depois de um trabalho de investigação no Congresso. “Já é uma quebra de mitos ligados à falta de seriedade neste País, o mito de que toda CPI acaba em pizza. Essa não acabou”, disse. Ele comentou que há grande expectativa sobre o resultado do STF. “É um paradoxo. Se o mensalão foi um mal gigantesco, pode se reverter, com ação da Justiça, em algo inigualável”, disse.


Isenção

Vários parlamentares cobraram a independência do Judiciário. O deputado Eleuses Paiva (PSD-SP) disse que agora já não cabe aos deputados pedir a condenação de um ou outro réu. “A nossa expectativa é a de que os respeitados ministros estudem com rigor a denúncia da Procuradoria-Geral da República, e, blindados das pressões palacianas ou partidárias, apliquem o rigor da lei a cada réu”, disse.


Já o deputado Dimas Ramalho (PPS-SP) ressaltou que o julgamento político foi feito na época da divulgação do escândalo. “Agora é hora de o STF julgar de acordo com as leis, de fazer o julgamento técnico, baseado na culpabilidade dos réus”, disse.


 

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