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Líder do PT quer que suplente explique relação com Cachoeira


O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse nesta quinta-feira que espera que Wilder Morais (DEM-GO), suplente do senador cassado Demóstenes Torres, explique sua relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira ao tomar posse. Wilder é acusado de ter sido colocado no cargo pelo contraventor. Segundo áudios gravados pela Polícia Federal, citados pelo jornal Folha de S. Paulo, em sete conversas com Cachoeira, o suplente chama o bicheiro de "Vossa Excelência".


"Além de ter obrigação com o eleitorado de Goiás, ele tem obrigação agora com o Brasil, já que ele vai virar senador da República. Seria fundamental que ele explique, ou até afirme aqui, do ponto de vista da sua defesa, para não ser acusado de que está sendo adjetivado, sem ter a oportunidade de se expressar", disse Pinheiro.


O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), autor da representação que desencadeou a cassação de Demóstenes, também pretende aguardar a explicação de Wilder na tribuna do Senado. Segundo a assessoria do senador, caso o suplente não se manifeste, Randolfe poderá tomar providências, como uma possível ação de convocação para Wilder depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira.


Para Pinheiro, a convocação na comissão também depende das explicações que o suplente dará ao tomar posse. "Para não cometer nenhum equívoco, o correto é esperar a chegada do suplente. Qualquer suspeição, qualquer relação, a obrigação nossa é promover a apuração", disse.


Engenheiro de 44 anos, Wilder Morais ocupa pela primeira vez um cargo público: desde 2011, é secretário de Infraestrutura do Estado de Goiás, função para o qual foi convidado pessoalmente pelo governador Marconi Perillo (PSDB). O suplente também é ex-marido da atual mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça.


Respeitado e influente no meio empresarial, Wilder foi convidado em 2009, por Demóstenes Torres, para ser seu suplente na campanha do ano seguinte. Aceitando o convite pela admiração que sentia pelo senador, o empresário começou a participar do processo eleitoral, de forma ativa: pediu votos, distribuiu folhetos e teria sido também um dos principais doadores da campanha.


Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.


Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.


Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.


Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

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