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Opinião

Temos que nos policiar ao falar para não sermos considerados racistas

Publicado em: Sábado, 15 Janeiro 2022 11:42 Escrito por Júlio César Cardoso
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Temos que nos policiar ao falar para não sermos considerados racistas Créditos da imagem: istockphoto/Reprodução

Expressões consideradas racistas devem ser excluídas de nosso vocabulário. Assim se manifestou, por exemplo, o professor Paulo Sérgio Gonçalves, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Estácio/RS, em artigo do Jornal do Comércio, Porto Alegre, publicado em 13.11.2021. 


Diz o professor que é preciso combater essas expressões através da disseminação de informação. "Mulata", por exemplo, faz parte dos sete termos separados por ele. A palavra, que faz referência ao animal mula, deveria ser substituída apenas por mulher negra. "Denegrir" também entra na lista. Usada como sinônimo de difamar, ela relaciona a negritude com algo negativo. 


Paulo cita ainda a expressão "fazer nas coxas", que vem da técnica utilizada pelos escravizados para fazer telhas e é utilizada para caracterizar trabalhos mal feitos. Muito usada até hoje, "doméstica" também carrega traços racistas. A palavra, que se refere às mulheres negras que trabalhavam dentro da casa das famílias brancas, remete a pessoas selvagens que foram domesticadas.
 


Mais um termo herdado do período escravocrata é "meia tigela". Naquela época, os negros que não conseguiam cumprir as metas de trabalho recebiam apenas metade da porção de comida. Hoje, é aplicado para descrever algo sem valor. "A dar com pau", ainda nessa linha, faz alusão à alimentação dosada em colheres de pau nos navios negreiros e significa algo que não é digno de consideração. 


Por fim, o professor menciona "Inhaca". Usada para falar de algo com cheiro forte e desagradável, a palavra significa o nome de uma Ilha de Moçambique, na África Oriental. A expressão reforça preconceitos ao associar o lugar, onde a população é majoritariamente negra, a algo nojento.
 


Com todo o respeito ao professor, a sua proposta é uma tolice. O combate ao racismo deve ocorrer de forma positiva através de educação no seio familiar e escolar. A exclusão vocabular de palavras ditas preconceituosas não elide o problema. O preconceito está arraigado no caráter dos indivíduos, inclusive de negros, portanto, é matéria de complexa solução. Em países considerados de Primeiro Mundo o preconceito existe. 


Logo, a forma preconceituosa de agir é uma característica do caráter de muitos indivíduos e ela estará sempre presente em qualquer tempo e em qualquer lugar. 


O sentido deformado ou preconceituoso das palavras está na maneira como o indivíduo se refere ao seu semelhante com o objetivo de ofendê-lo. Muitas vezes em divergências as pessoas procuram atingir os seus oponentes com palavras duras. O falecido compositor gaúcho, Luís Wagner, compôs “Nega veia” e era negro.


Vejam o absurdo: obra infantil do escritor Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho” é censurada pela ditadura do politicamente correto por ser considerada de conteúdo racista.


Agora, pretender-se rotular de preconceito o que já está consagrado na linguagem popular, letras musicais, livros, dicionários oficiais etc. é perder tempo com tamanha bobagem. 


Instalou-se no país uma doentia corrente minoritária do “politicamente correto”. Doravante, temos que nos policiar ao falar para não sermos tachados de racistas, misóginos, homofóbicos etc.  

 

Júlio César Cardoso - Servidor federal aposentado

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