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Para relator, está clara ligação de criminosos com governo de Goiás


O relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que está claro o envolvimento da organização criminosa de Carlos Cachoeira com o governo de Goiás. O relator disse que autoridades de outros estados também foram citadas. Segundo Odair Cunha, havia a intenção explícita da organização de Cachoeira de se expandir para outras unidades da Federação.

 

Em reunião secreta nesta quinta-feira (10), o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, relatou que Cachoeira atuava com 13 empresas, algumas delas em paraísos fiscais. Ele apresentou uma lista de 81 pessoas citadas nas conversas telefônicas interceptadas, mas ressaltou que não há indícios de envolvimento em crimes sobre todas elas. Entre os citados estão deputados e secretários estaduais, mas a lista chega a nomes de governadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e à própria presidente da República.

 

O relator ressaltou que não há provas de que Cachoeira tenha conseguido corromper outros gestores. Ele disse que, além do Distrito Federal, onde há indícios de atuação do esquema, foram citados os estados do Paraná e do Rio de Janeiro. “Nessa fase das investigações, não é possível dizer que há envolvimento direto dos governadores. A CPMI deve investigar todas as interações com agentes públicos.”

 

Depoimento de governadores

 Parlamentares chegaram a pedir que os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), fossem convocados imediatamente. Mas o relator disse que vai esperar o depoimento de Cachoeira, marcado para a próxima terça-feira, para decidir sobre essa questão.

 

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que as ligações do governo de Marconi Perillo são graves, mas ainda não há provas do envolvimento do próprio governador. “Por isso mesmo é importante que os governadores venham à CPMI, para explicar o que está sendo veiculado pela imprensa”, disse.

 

A primeira parte da Operação Monte Carlo não investigou políticos porque não tinha autorização do Supremo Tribunal Federal. Mas agora, segundo o delegado, a PF já tem autorização para investigar os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO), e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

 

Sampaio disse que, segundo Matheus Rodrigues, é grande a ligação entre Leréia e a organização de Carlinhos Cachoeira. “Ainda segundo o delegado, não está claro o envolvimento de Sandes Júnior com o contraventor”, disse.

 

Defesas

 O deputado Carlos Alberto Leréia divulgou nota em abril, por meio de sua assessoria, afirmando que é amigo pessoal de Carlinhos Cachoeira, mas que “jamais” intercedeu em licitação de interesse do empresário. Assegurou ainda não ter relação com a exploração de jogos ilegais que motivou a investigação sobre o contraventor.

 

Sandes Júnior, em sua defesa, explica que os diálogos gravados pela PF em que ele e Cachoeira discutem o recebimento de cheques referem-se ao fim de um contrato de trabalho entre ele e a Rádio Positiva, pelo qual ficou acertado o pagamento de verbas rescisórias em dez parcelas, por meio de dez cheques de R$ 50 mil.

 

O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP), que também foi citado entre os investigados, se disse satisfeito com os depoimentos dos dois delegados da PF. “Os delegados disseram que não há envolvimento do meu nome com nenhum ato ilícito, e isso ficou bem claro para os membros da CPMI”, disse.

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