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“Queremos pesquisas que gerem emprego”, diz Borges da Silveira


Ex-ministro da Saúde do governo José Sarney, o secretário de Ciência e Tecnologia do Tocantins, Borges da Silveira, tem projetos ousados para a área no estado, especialmente para a educação profissional, onde pretende, em até cinco anos, qualificar mão de obra específica para as necessidades de cada região do estado. Silveira falou também sobre os novos planos para a Redesat. “A nossa intenção é transformar a Redesat em sinal digital e levá-lo para todos os municípios. Queremos oferecer cursos na área de educação, da agricultura, da juventude, da terceira idade; vamos oferecer cursos de inglês e espanhol gratuitamente”, explicou.


Esta entrevista está publicada neste espaço graças à parceria entre o Agora-TO e o jornal Tribuna do Planalto.


Tribuna  – Secretário, quais as principais ações que foram desenvolvidas na Secretaria de Ciência e Tecnologia em 2011?

Borges da Silveira – Nós assumimos a secretaria e logo criamos a Fundação de Amparo à Pesquisa, porque o Tocantins era um dos poucos estados brasileiros que ainda não tinham essa instituição, que é de uma importância ímpar para o desenvolvimento da pesquisa. E, com ela, nós realizamos fórum, em junho de 2011, com a participação de mais de 400 lideranças da área educacional, empresários, federação das indústrias e o governo, para discutirmos os projetos de Ciência e Tecnologia. E procuramos sempre fazer o que é melhor para o Tocantins, que é a integração da pesquisa com o empresário, e o governo intermediando isso. O governo estimula a pesquisa, através das universidades, mas que saiam pesquisas que tragam produtos que gerem empregos. Essa é a grande meta nossa nesta área.


Muitas pesquisas se restringem às universidades…

Exatamente. Nós nos reunimos com as universidades e com os pesquisadores e dissemos que queremos apoiar pesquisas que sejam produtivas ou aplicadas e não pesquisas românticas. Porque a universidade tem um papel importante e precisa levar esse conhecimento para a população, e que isso traga efeitos benéficos para a população. Esse é o papel da universidade. E muitas vezes se faz uma pesquisa e ela fica guardada por muito tempo, sem serventia. Nós temos de prestigiar as pesquisas aplicativas. E isso está dando resultados, esse entrosamento está evoluindo muito bem.


Do que trata essa lei da Inovação sancionada pelo governador Siqueira Campos?

A lei concede estímulos fiscais para as empresas aplicarem na pesquisa. O Brasil é um dos países onde os empresários menos aplicam em inovação. Existe uma lei federal e que alguns estados já adaptaram para suas realidades, e foi isso que nós fizemos no Tocantins. Nas próximas semanas, teremos uma reunião para regulamentar essa lei, que é a maneira de estimular os empresários a aplicar em inovação. Porque hoje a palavra-chave para o futuro do Brasil é inovação. O país vive um momento econômico muito bom, mas para se consolidar isso é preciso inovar, através dos empresários, porque a competitividade no mundo é muito grande e se nós não inovarmos, vamos ficar atrás. Então, essa é a intenção dessa lei, incentivar as empresas para que elas apliquem em inovação. Ao lado, nós tivemos também em 2011 vários programas, como o Sibratec [Sistema Brasileiro de Tecnologia] de apoio a micro e pequenas empresas, do Instituto Euvaldo Lodi. Temos outro projeto, com recursos do Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] e governo do estado, sobre tecnologias sociais para fazer um grande trabalho nas regiões mais pobres do Tocantins, levando condições de tecnologia, principalmente na área digital nas pequenas propriedades e, ao lado disso, criar um trabalho de associativismo, com as universidades, com professores e alunos que vão percorrer as pequenas propriedades e falar com os pequenos produtores e procurar uni-los em associações, criar a economia solidária nessas regiões, para que se possa desenvolver economicamente essas regiões e municípios mais pobres. Na outra área, e talvez seja o projeto mais amplo, que é o da capacitação profissional, que faz parte da nossa secretaria, dos institutos técnicos, as escolas técnicas agropecuárias, e nós temos uma parceria com o Instituto Federal, que já tem escolas técnicas a distância, o E-tec, que nós somos parceiros com os polos. Já temos 21 municípios no estado que recebem cursos técnicos a distância e cursos da Universidade Aberta do Brasil. Nós procuramos este ano consolidar este programa para ter em cada microrregião do estado uma escola técnica voltada para a economia da região, criando cursos para a formação de pessoas para atender a demanda daquela região. Nós já temos, por exemplo, em Pedro Afonso, uma parceria com a grande empresa que é a Bunge, para criarmos um curso de álcool açucareiro e a parte prática será feita na própria indústria. Na região de Arraias, nós vamos ter um curso de mineração, que tem uma grande empresa se instalando lá, e precisamos criar mão de obra para aquela empresa, capacitar os jovens daquela região, e isso nós estamos fazendo em todas as regiões do estado. Tem também um grande programa de capacitação, onde pretendemos ter telessalas equipadas para receber cursos de capacitação a distância em todas as áreas, em todos os municípios do estado, até o mês de junho. Qualquer curso que interesse ao estado todo, nós teremos uma estrutura montada para oferecer, em parceria com a Unitins, cursos via satélite, para cursos regionais, via internet, mas dentro de uma sala.


E onde entra a Redesat nesses planos da secretaria?

Isso tudo integrado com a nova Redesat. Fizemos uma grande transformação, criamos uma estrutura com uma diretoria, e eu assumi a presidência, porque ela faz parte da nossa secretaria, exatamente para usar a Redesat para a integração do estado e utilizá-la como educativa mesmo, que ela é pouco utilizada. Cursos na área de educação, da agricultura, da juventude, da terceira idade, vamos  oferecer cursos de inglês e espanhol gratuitamente. Então, nós estamos procurando fazer a Redesat integrar o estado, porque, infelizmente, hoje metade das cidades do Tocantins recebe sinal de televisão por antena parabólica  e, com isso, não recebem noticiário do estado.


Qual a perspectiva do sinal da Redesat cobrir a totalidade dos municípios do Tocantins?

O reitor da Unitins esteve no Japão juntamente com o governador. E agora no início de março, vamos receber uma visita de uma equipe japonesa, que vai fazer um estudo de demonstração de equipamentos. A nossa intenção é transformar a Redesat em sinal digital e levá-lo para todos os municípios. Estamos tratando com o pessoal do Japão, que tem toda a condição para isso, para nos orientar. Organismos do próprio Japão financiariam a compra desses equipamentos, porque, para o Tocantins, esse projeto é de uma importância vital.


O estado tem condições de realizar um projeto desta grandeza?

Acho que sim, a longo prazo. Primeiro porque o estado tem uma dificuldade financeira muito grande, pelas dívidas deixadas de governos anteriores. Segundo, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o estado não pode absorver mais nenhum funcionário, já está comprometido quase todo o orçamento com pagamento de pessoal. Mas o estado está recebendo muitas indústrias. Hoje o Tocantins é o estado mais visado do Brasil, é o estado do futuro, pela sua localização, infraestrutura, pela ferrovia Norte Sul, que aqui fará um grande entroncamento para Mato Grosso e para a Bahia, tem um rio que é navegável, mas faltam as eclusas, que serão construídas, são 20 usinas hidrelétricas projetadas. Sem falar que o estado está no centro do país. Então, é um estado que tem todas as condições para crescer e tem condições de fazer empréstimos a longo prazo para aplicar naquilo que ajudar no seu desenvolvimento.


O senhor esteve recentemente na França e surgiu a oportunidade de um convênio com instituições francesas que beneficiam estudantes tocantinenses. Como funciona esse convênio?

Assinamos um acordo de cooperação técnica envolvendo a Universidade do Tocantins, com possibilidade de cursos de graduação, uma parte na França e outra no Tocantins e o aluno ter certificação dupla; cursos de aperfeiçoamento, como mestrados e doutorados e cursos de especialidades. O CNAM [Conservatório Nacional das Artes e das Profissões] é uma grande instituição de educação do governo francês. Outro projeto é a criação de um parque, que receberia a memória da educação, da cultura do Tocantins e que contenha um museu da ciência. O CNAM tem o mais bem montado museu de ciência do mundo, com peças originais em todas as áreas. Eles nos concederam o direito de poder trazer as fotos das peças e montar o museu, onde o cidadão possa conhecer, interativamente, toda a evolução, por exemplo, do telefone. Como começou o rádio, a imprensa. O Tocantins precisa dar condições para os alunos assistirem a isso.


Como o sr. avalia a pesquisa científica do Tocantins? Em que patamar estamos em relação à Região Norte e ao país?

Acho que hoje não podemos ainda competir com o Amazonas, porque tem universidades antigas, tem institutos tradicionais, o Pará. Nós ainda não temos as condições que eles têm, mas precisamos ter e estamos exatamente tentando criar esta condição. Nós temos a Fundação de Medicina Tropical, que será federalizada para poder avançar mais, ter mais condições que o estado teria para colocar recursos. A Universidade Federal do Tocantins hoje é muito forte, bem espalhada, estruturada, o trabalho que foi feito nos últimos anos deixou a universidade em condições excepcionais tanto na parte de ensino quanto de pesquisa. A Unitins está se recuperando exatamente para a área de pesquisa e a Unitins Agro vai se transformar no grande instituto de pesquisas do estado. Mas é uma questão de comparação, somos um estado novo, onde não tinha nada. Mas para poder acolher o desenvolvimento econômico que vai ter, é preciso existir uma estrutura neste sentido.


Em quanto tempo o Tocantins terá condições de reverter o passivo com o qual nasceu na área de educação, e passar a fornecer mão de obra qualificada para as empresas que estão chegando e as que virão?

Acho que será em pouco tempo. Inclusive, com esse programa do governador Siqueira Campos, e ele foi me convocar em Curitiba para vir para cá, foi exatamente para essa área de formação profissional. Nós estamos, junto com o Instituto Federal, com uma oferta de muitos cursos técnicos. Mas precisamos de apoio, inclusive da imprensa, para incentivar os jovens a frequentarem cursos técnicos, porque hoje sobram vagas em cursos de formação profissional. Nós estamos procurando ofertar cursos que atendam à demanda específica de cada região, e depois também mudar o curso, para não ficar formando muita mão de obra que não será absorvida. Está sendo criado um fórum permanente, com todas as instituições de cursos profissionais do estado, Secretaria de Educação, Senac, Sebrae. O governador deve sancionar um decreto neste sentido. Mas como os cursos técnicos são cursos com média de duração de um ano e meio, então eu acho que, no máximo em cinco anos, teremos todas as regiões atendidas na formação profissional.


 

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