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Silvye Alves: “A mulher é extremamente sensível e menos corrupta”

Foto: Divulgação

Quando a goiana Silvye Alves (UB) chega ao plenário da Câmara dos Deputados e se acomoda em seu lugar, nas fileiras do meio, para participar das sessões, já se tornou rotina ser abraçada pelos colegas parlamentares que estão à sua direita e à sua esquerda. Na divisão que reparte o Poder Legislativo em dois grandes blocos, ela analisa onde começa a fenda ideológica que racha a sociedade brasileira. Mas pôr-se ao centro, para a deputada federal de primeira jornada, em segundo ano de mandato, não significa estar em cima do muro, mas num estado de equilíbrio que a livra de caminhar pelos extremos e possibilita fazer o que pouco vemos no debate político: a autocrítica. “A direita hoje precisa mudar”, observa, falando do local em que ela se inscreve no espectro ideológico. “A gente tem que parar de ser extremista e pensar no todo, criar o respeito por todo mundo.” E diz mais: “A direita precisa ocupar a presidência do Brasil, mas para se fortalecer e voltar ao poder, tem que ser de uma forma digna e construir uma relação de confiança com todo mundo, independente de partido político. Um bom presidente pode ter um lado forte — o partido dele —, mas ele tem que respeitar a todos.”

O registro dessa maturidade é formado pela equação que soma o respeito que Silvye dá e o desrespeito que sofreu, enquanto vítima da violência contra a mulher, e ainda sofre em “agressões intermináveis nas redes sociais”. No ponto que toca o respeito à diferença, ela conta do preconceito que tinha contra a colega de parlamento Maria do Rosário (PT). “O dia que eu cheguei em Brasília, aquela mulher quebrou as minhas pernas. Em uma reunião da bancada feminina na casa do presidente Arthur Lira, ela me abraçou e falou: ‘Menina, eu conheço a sua história, eu vi o que você passou. Parabéns por você ter entrado na política. A política precisa de mulheres como você, que conhecem de perto o sofrimento de outra mulher.’ Não era aquele monstro que eu achava. É uma mulher que tem as suas pautas e as suas ideologias, mas ela tem projetos bons. Por que eu vou desrespeitar a pessoa só porque ela é de esquerda?”, indaga.

A condição de gênero que um dia a colocou fragilizada diante de um agressor é um traço que ajuda a explicar a deputada que, à direita, debate uma pauta mais comum ao campo progressista. “Eu acho que a mulher é extremamente sensível e menos corrupta. Nós conseguimos enxergar causas que homens não querem enxergar”, explica. E o que Silvye enxergou na travessia da dor física e psicológica foi a oportunidade de usar a política para proteger outras mulheres da agressão que ela sofreu.

Sim ou não?

A deputada mais votada de Goiás na última eleição não parece querer trocar a Câmara dos Deputados pela Prefeitura de Goiânia, mas isso não significa que não possa vir a topar o desafio de representar uma candidatura da base. “Quem me trouxe para a política foi o governador Ronaldo Caiado e a dona Gracinha Caiado e sou leal ao governador. Se ele enxergar algum potencial em mim e me ajudar a construir um projeto — porque eu nunca fiz parte do Executivo —, eu não tenho medo de nada, meu nome está à disposição”, afirma, desde que “eu possa caminhar junto com grandes pessoas, grandes políticos”, sozinha não.

Mês da Mulher

Em março, entrará em pauta uma proposta de Silvye que prevê a prisão de homens que cometem o crime de ameaça no contexto da violência contra a mulher. “Ninguém fica preso no Brasil pelo crime de ameaça. É isso que tem que mudar no caso das mulheres vítimas de violência porque a ameaça de morte antecipa o feminicídio. Há contextos em que conseguimos provar para a Justiça que essa mulher pode ser morta. Esse cara tem que ser preso ou monitorado. Não adianta somente o botão do pânico se ela não tiver a rede de proteção atrás, se o Estado não estiver olhando que ela pode ser morta. Ela tem que ter essa confiança, porque senão ela está presa e o cara está solto. Ela vai viver um inferno pelo resto da vida.”

Vez dos homens

Além da proposta que está estruturando para abrigar vítimas de violência doméstica em todo o país, Silvye defende a obrigatoriedade do tratamento psicológico para homens que cometeram tentativa de feminicídio. “Quer queira, quer não, o agressor continua sendo pai do filho daquela mulher e vai continuar infernizando a vida dela ou até mesmo fazendo com que o filho reproduza aquela violência.”

Melhor das hipóteses

Na entrevista à coluna, a parlamentar goiana relatou experiências a que teve acesso, em que o tratamento psicológico para agressores se mostrou eficiente contra a reincidência. “Quando eles conseguem entender, passam a ter vergonha dos filhos.”

P.S.:

A deputada federal Silvye Alves pediu ajuda à Executiva Nacional de seu partido para ser presidente da Comissão da Mulher. Recentemente, ela se tornou representante do União Brasil na discussão de matérias relacionadas à mulher.

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