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Supremo Tribunal Federal retoma julgamento do Mensalão, dvogados de defesa negam mensalão, mas admite caixa dois


 


O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta segunda-feira (6) o julgamento do mensalão do PT. No terceiro dia, a mais alta Corte vai dar espaço a cinco dos 38 réus. Por meio de seus advogados, cada um dos acusados terá uma hora para a apresentação de suas defesas. O primeiro falar será José Luís de Oliveira Lima, o Juca, advogado de José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula. Segundo o Ministério Público, Dirceu era “o chefe da quadrilha” dos mensaleiros petistas.


A defesa do ex-ministro José Dirceu, apontado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, como chefe do esquema. Segundo o advogado do réu, José Luiz de Oliveira, não há nada que o incrimine. “Em mais de 600 depoimentos, nenhum incrimina Dirceu.”


O ex-ministro do governo Lula é um dos 38 réus do mensalão. Dirceu é acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa. Na última sexta-feira, Gurgel disse que ele era o chefe da organização criminosa e que o mensalão foi “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção do País.”


Advogado de José Genoino, Luis Fernando Pacheco procurou negar a existência do mensalão do PT, o que para o procurador-geral da República foi “o mais atrevido e escandaloso escândalo de corrupção do País”. Na tentativa de provar a inocência de seu cliente, Pacheco utilizou quase uma hora da sessão desta tarde no Surpremo Tribunal Federal (STF) para diminuir a importância de Genoino no PT. Apesar de Genoino presidir o partido, ele negou que o petista tivesse conhecimento das negociações e acordos feitos pelo à época tesoureiro Delúbio Soares.


Pacheco disse que quando Genoino assumiu a presidência do PT, em 2003, a situação financeira da sigla era ruim. Mas que a área financeira era de responsabilidade de Delúbio Soares. Para minimizar a participação de Genoino nas decisões, Pacheco disse que seu cliente teve conhecimento de apenas dois contratos, e que ambos era legais. “O Genoino foi avalista de dois contratos que não tem nada a ver com o suposto mensalão, mas com dívidas do PT”, afirmou.


Pacheco sustentou ainda que, quando assumiu o PT, Genoíno deixou claro não mexeria com finanças e cargos. Sobre a tese do Ministério Público Federal, que defende que o mensalão petista foi montado nas eleições de 2002, o advogado disse que à época Genoíno estava fora da direção nacional partidária, já que era candidato ao governo paulista.


Na sexta-feira, ao defender a acusação, Gurgel disse não ter dúvidas sobre a existência do mensalão político. E foi claro ao atestar a participação do à época presidente do PT, José Genoino. Segundo Gurgel, José Dirceu foi o mentor e Genoino o “interlocutor político” responsável por formular propostas de acordo do PT com partidos da base aliada em troca de pagamento de dinheiro.


Gurgel ressaltou ainda que Genoino “contribuiu decisivamente para a obtenção de recursos necessários para o pagamento de acordos com os partidos que integrassem a base de apoio ao PT.”

“Ele avalizou os supostos empréstimos em valores milionários tomados pelas empresas de Marcos Valério junto aos bancos Rural e BMG, dando seu patrimônio pessoal como garantia”, afirmou Gurgel. O procurador-geral leu um trecho de um relatório do Banco Central dizendo que as transações estavam avalizadas por Genoino.


O procurador-geral também disse que, mesmo negando que tivesse feito acordos financeiros com o PP e o PL (hoje PR), Genoino admitiu em depoimentos que fez reuniões com líderes dos dois partidos para tratar de alianças políticas.


“O que interessa, e está provado nos autos, é que houve acordo político associado a apoio financeiro”, sustentou Gurgel, acrescentando que as transações também envolviam o PTB. Ele citou depoimentos de líderes do PP, do PL e do PTB que, para o Ministério Público, comprovaram a existência de acordos financeiros.

Genoíno responde por formação de quadrilha e corrupção ativa.


 Arnaldo Malheiros vai defender o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, que segundo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, era responsável pela distribuição dos recursos do mensalão.


Marcelo Leonardo vai defender o empresário Marcos Valério. Segundo a denúncia, Valério era responsável pelo núcleo financeiro do esquema. Sócio do empresário, Ramon Hollerbach, será defendido por Estevão Ferreira de Melo.


De uma forma geral, até agora, a estratégia da defesa tem sido afirmar que o mensalão petistas não existia. Teria sido “um delírio” do deputado cassado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, autor da denúncia. Mas na sexta-feira, o procurador-geral da República foi taxativo ao confirmar a existência do esquema. Segundo Gurgel, o mensalão petistas foi “o mais atrevido e escandaloso” caso de corrupção no País. “Maculou-se a República”, anotou o procurador.


São sete os crimes praticados pelos mensaleiros do PT, segundo o MP: corrupção ativa, corrupção passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e peculato.


 


 

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